Reivindicar os Direitos Humanos
Vivemos num mundo onde o progresso é muito intenso, com constantes descobertas cientificas, novas tecnologias, avanços no campo da medicina e processos de democratização das sociedades. Contudo, apesar de todas estas dinâmicas que são quotidianamente proclamadas pelos políticos e publicitadas pela comunicação social, constatamos que na nossa “aldeia global” há homens, mulheres e crianças que sofrem porque o desenvolvimento não chegou até eles, uma economia selvagem explora-os até à exaustão e, ainda, porque são vítimas de regimes políticos que os não levam em consideração, anulando-lhes quaisquer direitos.
Já em 1948, a ONU, consciente da fragilidade do ser humano proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem, onde se considera que “o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no Mundo”. Contudo, constatamos que em muitas partes do mundo os direitos são inexistentes. No Líbano as pessoas são bombardeadas em nome de um conflito fomentado pelos senhores da guerra; entre Israel e a Palestina arrasta-se um conflito onde as pessoas de ambas as partes são vítimas dum medo incitado por poderes que as transcendem; na Costa do Marfim, no Burundi, na Colombia, no Nepal, na Tchetchénia a guerra anula qualquer direito das pessoas. Segundo informações de organizações humanitárias, pelo menos um terço do total de armas comercializadas no mundo tinha origem em cinco membros do G8 (Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha), ou seja, em países que reivindicam a “consciência mundial dos direitos do homem”. Mas como é possível falar em direitos do homem quando em muitas partes da “aldeia global” o que está em causa é a sobrevivência: na África Negra, em muitas zonas da América Latina e do Sudoeste Asiático, a luta para quem está no limiar da sobrevivência é por um bocado de comida.
Na parte rica da “aldeia global”, as pessoas têm acesso a quase tudo, podendo reinvindicar os seus direitos de cidadania, vivendo com tranquilidade. No entanto, também neste mundo tranquilo os direitos do homem são sistemáticamente vilipendiados. Por exemplo, nos EUA desde 1976 já foram condenados à morte cerca de 700 pessoas (sendo que em todos estes processos chegou-se posteriormente à conclusão que em 96 destes casos os candenados eram inocentes). A França sendo um dos mais antigos países a reivindicar direitos humanos, é um dos países onde sucessivas ondas de xenofobia e racismo violam sistematicamente os direitos de quem é diferente. Também Portugal, país de brandos costumes, onde aparentemente nada acontece, é sistematicamente referido nos relatórios da Amnistia Internacional como um país onde os direitos humanos são violados.
Todos nós, na nossa condição de cidadania, ao reivindicarmos os nossos direitos, temos a obrigação de olhar para os direitos dos outros, daqueles que poucos direitos têm apenas porque falam uma língua diferente, têm um tom de pele diferente e uma cultura também diferente. Se queremos um mundo melhor temos que ser activos na rivindicação universal do direito à liberdade, à dignidade, à justiça, à qualidade.
É neste âmbito que surge a exposição “Os Direito Humanos no Mundo” com trabalhos realizados pelos alunos do 9º C na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento. Esta contou com a colaboração da professora bibliotecária da Escola, Marina Pacheco.



